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uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa

3 jun

É sempre com espírito de revolta e frustração que me debruço sobre as toneladas de equívocos que se acumulam em cada esquina desse Brasilzão de meu Deus, e já está ficando tão chato quanto chatos infestando pelos pubianos. É chato porque, primeiro, há mais de uma década que sigo alertando compulsivamente sobre os desvarios administrativos que o Partido dos Trabalhadores comete propositadamente, sem remorso, carregando a arrogância e a alucinação habituais; segundo, esmiuçar o óbvio milhões de vezes é uma atividade aborrecida que consome o tempo que poderia ser dedicado a outras funções; e terceiro, pois o instinto natural do brasileiro para viver sistematicamente achincalhado é um estigma dificílimo de ser rompido, afinal, politicamente é como se tivéssemos um hímen complacente de urânio, ou seja, uma ruptura dolorosa por dia.

Os sovietes do PT estão há tempo demais desgovernando o país com uma receita mais velha do que andar para frente: criando problemas que só eles podem solucionar porque, logicamente, estão no poder, de modo que a população clama pelos mesmos objetivos que requerem a atuação massiva do Estado e que somente o Estado lhes proverá. Antonio Gramsci, o ideólogo socialista italiano, deu as dicas em 1919, e a Estrelinha Vermelha fez o que sabe melhor: copiou tudo, coloriu com as cores que quis e foi liderada pelo único que não leu nada da bibliografia esquerdista, orquestrando uma miscelânea de demagogia, corrupção, fantasia, romantismo, obscurantismo e quase-revolução. A pintura que se vê hoje do país faz menos sentido do que rabiscos de uma criança de 3 anos. Não há nenhum projeto de sociedade, nenhum plano de governo, nenhuma diretriz de política externa, nenhuma coerência entre as propagandas nazistas veiculadas por todas as emissoras e a realidade esfacelada do país. Estamos dançando o samba do crioulo doido na velocidade máxima.

O mais assustador, no entanto, é ver o meio acadêmico contaminado por essa moléstia purulenta que, caso seja examinada com atenção, se revelará como uma ignorância maliciosa que induz o jovem idealista ao erro, visando angariar combatentes para lutar contra capitalismo demoníaco e seu exército de burgueses possuídos, enquanto a esquerda-caviar deita e rola no dinheiro público. Pior ainda é assistir estes formadores de opinião confundindo caráter com posição política e transmitir essa loucura, sob a maquiagem preconceituosa dessa gente que não é esquerdista e sim esnobe, dizendo que um conceito está associado ao outro no caso de as pessoas não estarem alinhadas com a ideologia que pregam. Enfim, não ser socialista, é ser desprezível, e isso por si só já desmonta a balela enjoada do poder do proletariado porque só a parcela que concorda com a ideologia tem valor, mesmo que a outra parte discordante também seja igualmente trabalhadora e honesta.

Pera lá, minha gente. Caráter é, por definição, firmeza de vontade, um traço peculiar de cada indivíduo e não pode ser adquirido ou aprendido, diferentemente da visão política que sofre influências diretas do meio, da educação, do contexto histórico, e que tem a ver com o que cada pessoa busca, com o saber questionar e que não é inato ao ser humano, mas desenvolvido ao longo do seu aprendizado. Logo, ter uma posição divergente dos que seguem o socialismo não é sinônimo de mau caratismo, de ausência de convicções ou de querer uma ditadura militar, tampouco é motivo para se esconder atrás do perigoso silêncio que, a bem da verdade, consente e menos ainda para ser linchado em redes sociais, praças públicas ou rodas de universitários barbudos. Preocupante mesmo é tomar decisões sérias baseadas em inverdades, quero dizer, as escolhas feitas, quer seja de militantes, quer seja da população em geral, nunca serão reais enquanto forem pautadas em mentiras elaboradas, pelo menos se quisermos ter uma sociedade plural e igualitária. Preocupante, ainda, é se deixar adestrar, é desviar o olhar para outra direção enquanto destroem uma nação apenas para se gabarem do triunfo de uma corrente ideológica sobre a outra. E isto, meus caros, não tem absolutamente nada a ver com  a finalidade que visa o bem comum, mas sim com interesses particulares de egos gigantescos cegos pela soberba e surdos de ódio por um fracasso do passado. Então, que fique bem claro: Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.

 

OBS. Eu não tenho ódio do Marx ou da sua obra ou de quem a segue – acho as ideias lindas, embora impraticáveis sem que haja repressão e opressão. Eu não tenho raiva de sindicatos. Eu não tenho raiva do PT por ser uma reacionária burguesa, inclusive não sou burguesa mesmo. Eu não tenho raiva do Lula só por que ele não estudou. Eu tenho muita raiva de quem quer me empurrar uma doutrina goela abaixo como se fosse a verdade absoluta e irretorquível e eu tivesse a obrigação ética e moral de aceitar. Eu tenho muita raiva do PT que chegou ao poder às custas de uma ideologia e passou a seguir outra apenas para manter o status quo, fazendo alianças imundas com políticos da pior espécie que antes eram alvos de críticas ferrenhas. Quanto ao Lula, bem… o fato de ele não ter um diploma só comprova o meu argumento de que o ser humano consegue ser medíocre em qualquer nível social.

o brasil necessita de uma reforma política para ontem

5 jul

Há parlamentares no Brasil que estão no poder há tanto tempo quanto a democracia e eles têm horror à simples menção da reforma política, porque isto os tiraria da sua posição confortável que permite cumprir seus mandatos de forma corrupta e displicente, sem serem cobrados e muito menos punidos. Os ladrões têm de ser desestimulados a engressar na vida pública para que a sua gestão deixe de ser um excelente negócio e funcione em prol da população, mas para que isto ocorra, é necessário moralizar e instituir a ética. No entanto, como requerer valores de pessoas que estão a mamar em berço esplêndido nas tetas do governo há mais de trinta anos? A renovação é imprescindível e, no nosso caso, de diligência cirúrgica.

Precisamos desinchar a máquina estatal e aumentar a sua eficiência, porque a relação do estado de direito democrático com a sociedade deve ocorrer em um ambiente de reciprocidade, de modo que haja equilíbrio entre os impostos cobrados e a qualidade dos serviços prestados para  melhor desenvolvimento humano. E quando isto não ocorre fica evidente o abuso de poder e o descontrole gerencial do governo. Contudo, a questão da reforma política se tornou objeto de confusão não só na cabeça dos cidadãos, mas também da mídia que, por sua vez, costuma combinar ignorância com oportunismo.

As crises que estouram não passam de um reflexo da própria mazela democrática que o país ostenta desde quando a história consegue alcançar, principalmente porque, mesmo tomando como modelo o regime presidencialista federativo dos Estados Unidos, conseguimos fazer o oposto a ele. Medidas provisórias e o voto obrigatório são apenas alguns  dos exemplos que contradizem a democracia. Por isto é que a sociedade precisa rever seus valores e exigir uma postura pragmática que gere resultados práticos para a população.

A nossa gestão pública é deformada não apenas pela corrupção, mas também pelos nossos próprios processos políticos, que nos tornaram reféns deste Estado populista, que tem se aproximado cada vez mais do perfil de predador e se distanciado velozmente do papel de benfeitor, perpetuando este sistema de solidariedade às avessas.

O Brasil necessita de uma profunda reforma política e eleitoral. O Estado precisa ser visto e cobrado como o prestador de serviços à sociedade que verdadeiramente é. Nós devemos aproveitar este recuo do governo para nos mobilizar e recuperar o que foi escandalosamente tirado de nós, para que tenhamos uma administração pública mais leve, eficaz e menos onerosa para o povo.

A passividade da população é extremamente perigosa porque serve como arma de calibre pesado para nos manter na inércia. Trilhar este caminho é sinônimo de sermos presas fáceis, além de nos tornar indignos por termos sempre aceitado as milhares de desculpas esfarrapadas apresentadas pelos nossos governantes. Já passou da hora de abolirmos esta posição passiva que tange a covardia.