Arquivo | abril, 2014

brevidade para dias de cérebro nublado

16 abr

A pior das mazelas da consciência é viver sem propósito algum,

acordando todos os dias porque tem mesmo que ser

e ainda sentir-se obrigado a agradecer por isto.

Ter os sentimentos sugados à força por um aspirador de pó enquanto assiste,

paralisado pela impotência,

as palavras, as vontades e o pouco que resta também serem engolidos com idêntica gula

para enfim sentir-se limpo, impecavelmente limpo

– e vazio, assustadoramente vazio,

a ponto de suspender a alma sobre si mesmo apenas para observar a própria miséria de um lugar ironicamente privilegiado.

 

Tornar-se raso é uma arte,

mas ser raso é um ofício superestimado.

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