Arquivo | setembro, 2013

era de dor

30 set

Era de dor que enlouquecia e dizia absurdos

A dor surda que ceifava a alma impiedosamente

Era sempre de dor

e vinha sempre de dentro.

Exterior a mim, não encontrava nada

A coisa toda vinha sempre de dentro

Daqueles confins do cérebro a que batizaram de inferno

A merda vinha sempre de dentro.

 

Era de dor que falava por entre os dentes

e enrijecia os dedos contendo a besta por detrás da mulher colérica

Era a dor de dentro trazendo o descontrole pra fora

E os tragos nervosos no cigarro molhado metendo o resto pra dentro

como uma rolha fumacenta grande demais pra um orifício minúsculo.

Era a dor que sempre falava

Não eu, não meu subconsciente

Era sempre a dor infecciosa que abria a boca pra cuspir navalhas

Falaria até se fosse uma porta

Falaria até mesmo se fosse muda

Era de dor e era pela dor.

A mesma dor que chegava sempre de dentro

e vinha pra fora na forma de um vômito azedo.

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pequena receita para uma vida menos fodida aprendida tardiamente

23 set

Se você quer ser razoavelmente feliz nesse mundo de merda

presenteie-se com a solidão de quase eremita

e à irônica companhia das cervejas,

dedicando a elas um carinho especial e olhares apaixonados.

Finja que não está em casa quando tocar a campainha

pra rir disso depois com um remorso que passará logo

e escreva alguma história sacana evidenciando sua babaquice.

Das cervejas e do desdém à humanidade, não se perde nada

a primeira porque diverte a quem sabe divertir

e a segunda porque evita o cansaço aborrecido da civilidade.

Exceções são permitidas aos que sabem silenciar os ruídos de fundo

ou aos que te acompanham nos porres com maestria e de boca fechada.

Às pessoas, indiferença.

Às cervejas, tudo.

Isso se você quiser viver razoavelmente…